Proprietários da Embraforte são indiciados por golpe milionário no Sul de Minas - ALÔ ALÔ CIDADE

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Empresa de transporte de valores é acusada de furtar R$ 22,7 mi que seriam depositados em caixas eletrônicos



30/06/2015 14:01
Proprietários da Embraforte são indiciados por golpe milionário no Sul de Minas - Fotos: Jornal O Tempo
A Polícia Civil indiciou e pediu a prisão preventiva de três sócios e de um funcionário da extinta Embraforte, empresa de transporte de valores que tinha sede em Belo Horizonte. Os envolvidos são suspeitos de roubar R$ 22,7 milhões do Banco do Brasil (BB). Segundo o inquérito policial, obtido com exclusividade por O TEMPO, os donos da empresa coagiam seus vigilantes a abastecer os caixas eletrônicos com valores menores que os declarados ao sistema do banco. A Embraforte é também alvo em outro inquérito, esse da Polícia Federal tendo a Caixa Econômica como vítima.
A empresa de valores prestou serviço ao Banco do Brasil entre 2007 e 2013, em Belo Horizonte e em duas cidades, Varginha e Passos no Sul de Minas, . O pedido de prisão feito em 12 de junho é contra os donos da Embraforte – Marcos André Paes de Vilhena e seus filhos Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena e Marcos Felipe Gonçalves de Vilhena – e o gerente da empresa e braço direito dos proprietários, Mário Pereira de Carvalho.
O roubo. A investigação da Polícia Civil apontou que os malotes saíam da Embraforte para abastecer os caixas eletrônicos com a guia de controle trazendo um valor maior que o montante presente no pacote. Quando abriam o malote para colocar o dinheiro no caixa, os vigilantes percebiam a divergência, porém eram coagidos a indicar no sistema bancário que o abastecimento estava sendo realizado com o valor devido.
Vários funcionários confirmam o esquema em seus depoimentos. Eles afirmam que a maioria dos caixas eletrônicos tinha que ser abastecido com R$ 220 mil, mas apenas R$ 110 mil eram de fato repassados aos terminais. Quando questionavam seus superiores, eram informados de que a operação era realizada com ciência do Banco do Brasil.
Com acesso às datas das auditorias feitas pelo banco, a empresa reabastecia os caixas um dia antes – o dinheiro era levado dentro de sacos de lixo em carros pequenos, segundo depoimentos.
O banco começou a perceber o problema em 2013 ao estranhar a reclamação de clientes de que não havia dinheiro nos caixas, mesmo com o sistema apontando o contrário. Além disso, apesar de as auditorias não apontarem falta de dinheiro no equipamento, os valores das cédulas não batiam com a descrição das guias de depósito. Ao conferir, o BB rastreou alterações não programadas nos caixas feitas pela Embraforte.
Após a constatação da fraude, Marcos Vilhena teria reconhecido o rombo em reunião com o banco e se comprometido a devolver o valor, o que não aconteceu.


O grupo esteve à frente da Embraforte entre 2006 e janeiro de 2014, mas não há no inquérito informações sobre por quanto tempo o roubo foi praticado. O delegado responsável pelo pedido de prisão, Cláudio Utsch, no entanto, afirma no inquérito que o esquema se deu na sombra do prestígio da irmã e tia dos donos da Embraforte, a secretária de Estado de Planejamento entre os anos de 2006 e 2014, Renata Vilhena. “O poder de Renata esteve sempre pronto a auxiliar o irmão (Marcos Vilhena)”, consta no inquérito. Procurado nesta quarta pela reportagem, Cláudio Utsch não quis se pronunciar.


Justiça
Andamento. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) não localizou o processo com base nos nomes das partes, fornecidos pela reportagem. Não há, portanto, informação sobre o pedido de prisão.

Suspeitos negam crimes e dizem que foram ‘saqueados’

Em seus depoimentos, Marcos André Paes de Vilhena e dois de seus filhos – Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena e Marcos Felipe Gonçalves de Vilhena – negam qualquer apropriação indevida de dinheiro. Marcos André disse que nunca deu ordem para depósitos em quantias menores, mas admite que houve “diferença de valores” e tenta jogar a culpa para os funcionários. Segundo ele, houve uma “desorganização na empresa em decorrência de um movimento realizado por funcionários”.

Marcos André isenta os filhos de qualquer participação no esquema. Em seus depoimentos, eles negaram fraude e declararam que a situação chegou ao ponto de a empresa ser completamente depredada e saqueada por empregados. Mário Pereira de Carvalho, o quarto indiciado, não foi ouvido porque teria se mudado para o Rio.

Desconfiança

Antes de confirmar a fraude, o Banco do Brasil já havia reduzido o montante de dinheiro repassado à Embraforte. A redução preventiva teve início em janeiro de 2013, mas no segundo semestre do mesmo ano, o banco teve que aumentar novamente a quantia para dar conta da demanda do pagamento dos servidores do governo do Estado, que recebem pelo banco desde 2006.

Leia mais no: O Tempo

Proprietários da Embraforte são indiciados por golpe milionário no Sul de Minas

Empresa de transporte de valores é acusada de furtar R$ 22,7 mi que seriam depositados em caixas eletrônicos



30/06/2015 14:01
Proprietários da Embraforte são indiciados por golpe milionário no Sul de Minas - Fotos: Jornal O Tempo
A Polícia Civil indiciou e pediu a prisão preventiva de três sócios e de um funcionário da extinta Embraforte, empresa de transporte de valores que tinha sede em Belo Horizonte. Os envolvidos são suspeitos de roubar R$ 22,7 milhões do Banco do Brasil (BB). Segundo o inquérito policial, obtido com exclusividade por O TEMPO, os donos da empresa coagiam seus vigilantes a abastecer os caixas eletrônicos com valores menores que os declarados ao sistema do banco. A Embraforte é também alvo em outro inquérito, esse da Polícia Federal tendo a Caixa Econômica como vítima.
A empresa de valores prestou serviço ao Banco do Brasil entre 2007 e 2013, em Belo Horizonte e em duas cidades, Varginha e Passos no Sul de Minas, . O pedido de prisão feito em 12 de junho é contra os donos da Embraforte – Marcos André Paes de Vilhena e seus filhos Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena e Marcos Felipe Gonçalves de Vilhena – e o gerente da empresa e braço direito dos proprietários, Mário Pereira de Carvalho.
O roubo. A investigação da Polícia Civil apontou que os malotes saíam da Embraforte para abastecer os caixas eletrônicos com a guia de controle trazendo um valor maior que o montante presente no pacote. Quando abriam o malote para colocar o dinheiro no caixa, os vigilantes percebiam a divergência, porém eram coagidos a indicar no sistema bancário que o abastecimento estava sendo realizado com o valor devido.
Vários funcionários confirmam o esquema em seus depoimentos. Eles afirmam que a maioria dos caixas eletrônicos tinha que ser abastecido com R$ 220 mil, mas apenas R$ 110 mil eram de fato repassados aos terminais. Quando questionavam seus superiores, eram informados de que a operação era realizada com ciência do Banco do Brasil.
Com acesso às datas das auditorias feitas pelo banco, a empresa reabastecia os caixas um dia antes – o dinheiro era levado dentro de sacos de lixo em carros pequenos, segundo depoimentos.
O banco começou a perceber o problema em 2013 ao estranhar a reclamação de clientes de que não havia dinheiro nos caixas, mesmo com o sistema apontando o contrário. Além disso, apesar de as auditorias não apontarem falta de dinheiro no equipamento, os valores das cédulas não batiam com a descrição das guias de depósito. Ao conferir, o BB rastreou alterações não programadas nos caixas feitas pela Embraforte.
Após a constatação da fraude, Marcos Vilhena teria reconhecido o rombo em reunião com o banco e se comprometido a devolver o valor, o que não aconteceu.


O grupo esteve à frente da Embraforte entre 2006 e janeiro de 2014, mas não há no inquérito informações sobre por quanto tempo o roubo foi praticado. O delegado responsável pelo pedido de prisão, Cláudio Utsch, no entanto, afirma no inquérito que o esquema se deu na sombra do prestígio da irmã e tia dos donos da Embraforte, a secretária de Estado de Planejamento entre os anos de 2006 e 2014, Renata Vilhena. “O poder de Renata esteve sempre pronto a auxiliar o irmão (Marcos Vilhena)”, consta no inquérito. Procurado nesta quarta pela reportagem, Cláudio Utsch não quis se pronunciar.


Justiça
Andamento. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) não localizou o processo com base nos nomes das partes, fornecidos pela reportagem. Não há, portanto, informação sobre o pedido de prisão.

Suspeitos negam crimes e dizem que foram ‘saqueados’

Em seus depoimentos, Marcos André Paes de Vilhena e dois de seus filhos – Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena e Marcos Felipe Gonçalves de Vilhena – negam qualquer apropriação indevida de dinheiro. Marcos André disse que nunca deu ordem para depósitos em quantias menores, mas admite que houve “diferença de valores” e tenta jogar a culpa para os funcionários. Segundo ele, houve uma “desorganização na empresa em decorrência de um movimento realizado por funcionários”.

Marcos André isenta os filhos de qualquer participação no esquema. Em seus depoimentos, eles negaram fraude e declararam que a situação chegou ao ponto de a empresa ser completamente depredada e saqueada por empregados. Mário Pereira de Carvalho, o quarto indiciado, não foi ouvido porque teria se mudado para o Rio.

Desconfiança

Antes de confirmar a fraude, o Banco do Brasil já havia reduzido o montante de dinheiro repassado à Embraforte. A redução preventiva teve início em janeiro de 2013, mas no segundo semestre do mesmo ano, o banco teve que aumentar novamente a quantia para dar conta da demanda do pagamento dos servidores do governo do Estado, que recebem pelo banco desde 2006.

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