Após oferecer 'rodízio de mulheres', boate é interditada em Poços de Caldas - ALÔ ALÔ CIDADE

Após oferecer 'rodízio de mulheres', boate é interditada em Poços de Caldas

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Secretaria de Serviços Público pediu interdição do local por falta de alvará. Segundo proprietário, boate está dentro da lei e festa vai acontecer.


10/11/2015 22:21
Festa com 'rodízio de mulheres' aconteceria em boate anunciada neste endereço em Poços de Caldas - Foto: Google View

Uma boate que anunciava um "rodízio de mulheres" por R$ 150 foi interditada na manhã terça-feira (10) em Poços de Caldas (MG) por falta de alvará municipal. Segundo a prefeitura, fiscais da secretaria municipal de Serviços Públicos estiveram no local e constataram que a casa noturna não possui as especificações de segurança exigidas pela lei. O Conselho de Defesa dos Diretos da Mulher se manifestou contra o evento. O proprietário da casa disse que está dentro da lei e que a festa irá acontecer.

Em um cartaz que está sendo divulgado nas redes sociais, a festa é anunciada para o próximo dia 20 de novembro a partir das 20h. Nele é oferecido um "rodízio de mulheres", em que o cliente pagaria "R$ 150 para entrar e consumiria quantas garotas aguentar". O cartaz ainda diz que a festa seria "a mais louca e esperada de Poços de Caldas". O anúncio também lembra que é proibida a entrada de menores de 18 anos e que será exigida a apresentação do documento comprovando a maioridade.
No entanto, de acordo com o secretário José Muniz Alves, foi expedido o auto de interdição do local, para que o evento não aconteça conforme anunciado. “Fizemos a interdição para que a festa não aconteça, mas se acontecer vamos multar os organizadores ou proprietário do imóvel”, disse.

Cartaz anunciava 'rodízio de mulheres'
em festa prevista para Poços de Caldas -
Foto: Reprodução
Segundo o secretário, o valor da multa, caso a festa aconteça mesmo com o imóvel interditado pode chegar a R$ 3,1 mil. Ainda de acordo com Alves, não há como o local ser regularizado a tempo para que o evento ocorra. “No entender da secretaria, além da falta de alvará, o evento traz ainda a facilidade de prostituição e um desrespeito à mulher”, destacou.

Em contato com a reportagem, o proprietário da boate, Ricardo Costa, disse que não esperava que o evento fosse repercutir tanto. Segundo ele, ele dará entrada nos documentos necessários para o alvará e garante que a festa vai acontecer.

"Acho que acabei chamando muita atenção e isso acabou atrapalhando. A concorrência, todo mundo tentando derrubar, mas a festa vai acontecer de qualquer jeito, porque estou dentro da lei, tenho a liberação do Corpo de Bombeiros. A ideia surgiu do dia a dia, a gente vai cultivando as ideias, mas bombou de uma certa forma que eu não esperava, em grupos do Brasil todo", disse o proprietário.
Em nota oficial, a Prefeitura de Poços de Caldas informou que a interdição foi realizada com base nos artigos 168, 169 e 310 do Código de Posturas do município (Lei 2.427/76). A prefeitura disse ainda que repudia qualquer iniciativa que desrespeite os direitos das mulheres e reitera seu compromisso com os direitos humanos.

Protesto após anúncio nas redes sociais
A circulação do anúncio causou revolta em mulheres ligadas ao movimento feminista da cidade e motivou uma denúncia por parte do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Segundo a presidente, Claudia Luciana de Oliveira Lourenço, foi feita uma representação junto ao Ministério Público. “Nós fizemos uma denúncia verbal e vamos anexar um ofício do conselho, representando o nosso repúdio à festa”, disse.

De acordo com ela, diante da denúncia, a promotoria informou que iria investigar o caso. “Nós entendemos que a forma como a festa foi divulgada expõe demais as mulheres. Quando é colocado que os homens podem consumir as garotas, é uma maneira agressiva e como nós fazemos um trabalho de enfrentamento à violência, interpretamos que um cartaz como este incita o machismo e a violência contra a mulher. Nós temos uma preocupação com as garotas que trabalhariam nesta noite na boate, já que elas ficariam muito vulneráveis. É até uma questão de saúde também”, completou a presidente do conselho.

Procurado, o promotor Renato Maia, que está à frente do caso disse que já está investigando e que requisitou uma investigação policial para o caso. “Eu vislumbrei, neste caso, duas hipóteses legais que impedem a realização deste evento. Uma delas é o crime de favorecimento da prostituição e a outra fere a curadoria de direitos humanos, já que as mulheres são oferecidas como objetos”.

Rodízio de mulheres e investigação
Festas como esta já foram divulgadas em outras cidades, como Guarulhos (SP). Em setembro deste ano, uma casa noturna anunciou um evento semelhante, por R$ 100 e divulgou maciçamente em redes sociais a suposta promoção.

Em Teresina (PI), uma festa semelhante, com o mesmo nome e valor – inclusive o mesmo nome da boate – é investigada pela Delegacia da Mulher do município. Um cartaz bastante semelhante divulga uma festa, nos mesmos moldes. A única diferença seria o endereço e o número de telefone. Na cidade do nordeste, o proprietário da casa informou não se tratar de uma festa dele e alegou que a propaganda seria falsa.

Fonte: G1

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