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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Há 100 anos, Vital Brazil entrava na história ao receber patente do soro antiofídico

Médico nascido em Campanha (MG) marcou história na ciência com suas pesquisas.

22/12/2017
Por Bruno de Oliveira, Campanha, MG
 
 Fotos e Fonte: EPTV SUL DE MINAS

Nas ruas da pequena Campanha, no Sul de Minas Gerais, não é difícil encontrar algum monumento que rememore o nome do homem que revolucionou a história da medicina no país. Vital Brazil ficou conhecido como personagem importante nas pesquisas de combate às epidemias que assolavam a nação entre o final do século XIX e o início do século XX. Há 100 anos, ele entrava na história ao receber e doar a patente do soro antiofídico, sua mais importante descoberta, para o governo.
As íntegras dos arquivos da época estão disponíveis para turistas e historiadores no museu dedicado ao médico na cidade mineira. Em uma das salas do memorial, é possível ver um recorte da publicação, datada de maio de 1917, quando o médico recebia a patente do soro.
Em agosto do mesmo ano, ele doou o registro para o Governo do Estado de São Paulo, tornando público o acesso ao remédio que viria a curar inúmeras pessoas vítimas de ataques de animais peçonhentos. 


Primeiros anos de vida
Nascido em 28 de abril de 1865, o médico viveu até os cinco anos de idade em Campanha. A casa onde morou abriga hoje um memorial com boa parte de sua história de vida. Com arquitetura do período colonial, o prédio foi restaurado em 1985 e inaugurado como museu três anos depois.

  Segundo o historiador Hebert Godói, o nome dado pelo pai ao cientista, um tanto quanto irreverente, é fruto de uma desavença familiar.
“O seu pai estava com o casamento arranjado. A família era natural de Itajubá, só que ele se apaixona por uma campanhense. Nisso, ele briga com sua família e declara que nenhum dois seus filhos vai receber o nome de sua família”, conta. (Veja mais sobre o museu no vídeo abaixo).

Início dos estudos
Aos 21 anos, Vital ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde começou a se interessar pelas pesquisas de tratamento antiofídico. Quando se formou, em 1891, foi contratado pelo Serviço de Saúde Pública do Estado de São Paulo.
Ele se casou na capital paulista e se mudou posteriormente para Botucatu, no interior do estado, onde teve contato com pessoas que sofreram com picadas de cobras nos cafezais da região.
“Ele vai para São Paulo, e lá ele começa a exercer a medicina, onde ele vai trabalhar mais voltado para o combate de doenças endêmicas. Até que ele decide, após tratar um caso de picada de cobra, pesquisar mais sobre o assunto”, diz Godói.

 Fotos e Fonte: EPTV SUL DE MINAS


Diante deste cenário, ele acabou desenvolvendo as pesquisas que resultaram na criação do soro antiofídico contra os venenos das cobras cascavel e jararaca, duas espécies que mais vitimavam pessoas no Brasil.
“Nessa época, o Brasil ainda era marcadamente muito rural e as pessoas não tinham uma instrução de como tratar ou como prevenir picadas de cobra. E como os índices estatísticos de picadas de cobra eram altíssimos, ele decide então intensificar pesquisas para combater e para tratar esse tipo de enfermidade”, explica.
Nomeado inspetor de Saúde Pública, o médico sanitarista acompanhou de perto o avanço da febre amarela e da peste bubônica no interior paulista.
Em 1899, assumiu a direção do Instituto Butatan e permaneceu no cargo por 20 anos. Também fundou o Instituto Vital Brazil em Niterói, que foi doado para o Governo do Estado do Rio de Janeiro após sua morte, em 1950.
Todas as suas pesquisas chamaram a atenção dentro e fora do país. Elas foram fundamentais para revolucionar o tratamento de pessoas atacadas por animais peçonhentos.

 Fotos e Fonte: EPTV SUL DE MINAS


Espírito humanitário
Além de pesquisador, Vital tinha uma faceta menos conhecida, a do bom trato com todos que atendia. Durante sua vida em São Paulo, fazia questão de visitar pacientes em suas casas antes de ir para o trabalho no instituto que dirigia.
Segundo o historiador, tanto pela sua trajetória de vida quanto pela sua origem humilde, Vital Brazil enxergava na medicina uma forma de ajudar as outras pessoas.

 Fotos e Fonte: EPTV SUL DE MINAS


Orgulho da cidade
Quem chega no museu dedicado ao cientista para fazer uma visita encontra a guia Rogéria de Souza Pereira. Funcionária do local há 20 anos, ela conta que se tornou, de certa forma, íntima da história de Vital Brazil.
“Com o tempo a gente vai até se apegando aos objetos e as fotos dele. Tem muita coisa ainda guardada, conservada. Os vidros de perfume, se você abrir, tem o cheiro do perfume", diz.

Foram tantos anos em contato com os objetos, que ela se diz fascinada pela trajetória do cientista. “Cada dia que passa você ficava sabendo alguma coisa. Ele não tinha nada. Para estudar, ficava com livros emprestados para ler a noite inteira para entregar no outro dia para os colegas e para poder ter como estudar medicina, porque ele era pobre”, ressalta. 

  Conterrânea do pesquisador, Rogéria se diz feliz por trabalhar no memorial que guarda o acervo de Vital Brazil, mas lamenta o desconhecimento da história dele por parte das novas gerações.
“Trabalhar aqui pra mim é uma honra. Pena que está sendo muito esquecido hoje. Ainda chega gente aqui e pergunta para mim quem é o Vital Brazil. Eu acho que as escolas estão deixando de ensinar mais sobre ele”, conta.

 Fotos e Fonte: EPTV SUL DE MINAS


Vida pessoal
O médico, que adorava crianças, teve 21 filhos, todos frutos de dois casamentos. No cotidiano familiar, era um homem que gostava de ouvir as notícias do rádio e que não gostava de armas.
“Nós sabemos que ele era um homem de família. Valorizava muito a presença dos filhos e dos netos e gostava de ter a casa cheia”, diz o historiador.
Brazil morreu no Rio de Janeiro em 8 de maio de 1950. De lá pra cá, sobram ruas a avenidas espalhadas pelo país que levam o nome do pesquisador. Tudo isso, símbolo de sua relevância para a ciência.



Legado que permanece
Segundo o historiador, a herança de suas pesquisas permanece até os dias de hoje. “O Vital Brazil é uma figura extremamente importante para o desenvolvimento científico brasileiro, porque até então o Brasil nunca foi visto como um celeiro de cientistas ou de pesquisadores”.
Além disso, muitos estudiosos seguem os caminhos daquele que foi o precursor das pesquisas que resultaram no remédio contra o veneno de animais peçonhentos no país.
“Como ele conseguiu um reconhecimento internacional, quase que de imediato, ele colocou o Brasil num hall de onde é possível haver pesquisadores e cientistas. Durante o desenvolvimento do seu trabalho, ele influenciou muita gente a pesquisar e a descobrir coisas notas também”, conclui Godói. 

Fotos e Fonte: EPTV SUL DE MINAS

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