Campanha é destaque da revista Época com a reportagem ''O Brasil desperdiça seus talentos'' - ALÔ ALÔ CIDADE

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As histórias de jovens e crianças da cidade da Campanha, no interior de Minas Gerais revelam o maior desperdício de riqueza que o país comete: fechar os olhos para seus superdotados


18/02/2016 22:10
Reportagem: Flávia Yuri Oshima


Capa revista Época
Trecho da reportagem de capa desta semana:
Campanha é uma cidade de 15 mil habitantes no sul de Minas Gerais. Não tem cinema. Os dois hotéis da cidade não possuem ar-condicionado. Somente em Minas Gerais, há 175 municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto que o de Campanha. Em Educação, o IDH da cidade é ainda pior: está em 267° lugar. A principal atividade é o plantio de tangerina do tipo poncã. Quem quer comprar produtos mais sofisticados precisa ir até Varginha, a 49 quilômetros dali. Pois, em apenas dois dias nessa cidade tão pacata, a reportagem de ÉPOCA conversou com quatro crianças superdotadas e soube de outras três que vivem ali.
Chegar até os irmãos Nicolas, de 20 anos, e Vinícius, de 16, foi fácil. O pai deles, Norberto Franco, pediu ajuda a Giovanni Eldasi quando os meninos, ainda pequenos, começaram a ser discriminados por professores e colegas na escola. Os pais procuraram a direção da escola, a Secretaria de Educação da cidade e a Secretaria de Educação regional em busca de aulas e materiais extras para ajudá-los. Nunca conseguiram coisa alguma. “Está na lei que meus filhos têm o direito à educação. Ouvimos não de todos os lugares”, diz a mãe, Nilda Franco.

Os relatos sobre as dificuldades que a espoleta Donatella Arcuri, de 10 anos, enfrenta na escola são idênticos aos do senhor Norberto. A diferença fundamental é que as dificuldades de Donatella se deram numa escola particular. Quando a avaliação indicou que ela deveria ser promovida para a série seguinte, a escola se esquivou da responsabilidade. “Se recusaram até a inscrevê-la para a Olimpíada de Matemática”, diz Fernanda Arcuri, educadora, mãe de Donatella.
Pais de Donatella, Fernanda Arcuri e Rafael Arcuri Neto, falam  - Foto/reprodução: Revista Época

O primeiro susto que Paulo e Márcia Buchholz tiveram com a filha Rafaella foi quando a menina tinha apenas 2 anos. A bebê apontou para um letreiro e começou a dizer “efe-a-erre-eme-a-ce-i-a”. A partir de então, a aprendizagem de Rafaella passou a se dar em saltos. Rafaella não foi adiantada na escola, mas recebe conteúdos extras durante a aula. “Nos anos em que era a única que sabia ler, ela sofria muito com os ciúmes dos amigos. Agora melhorou”, diz Márcia Buchholz.
Será que a água de Campanha tem algum elemento que afeta o cérebro das crianças? Difícil de acreditar. É possível que o que acontece lá se reproduza, em medidas proporcionais, nos demais 5.560 municípios brasileiros. Uma evidência disso: o último dado divulgado pelo Inep, órgão que contabiliza as estatísticas oficiais de Educação, mostra que o país possui 13.308 superdotados. O dado é irrisório. A estimativa mais conservadora da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que há 10 milhões de superdotados no Brasil, ou 5% da população. Esse percentual refere-se apenas aos superdotados intelectuais, com facilidade em raciocínio matemático ou línguas. Considerando todas as dimensões nas quais um superdotado pode sobressair, o percentual por país gira em torno de 10% da população. Ou seja, provavelmente há mais de 20 milhões de brasileiros talentosos invisíveis.

Professores despreparados para atender esses jovens e crianças incentivam o preconceito generalizado dentro da escola. Professores despreparados para atender esses jovens e crianças incentivam o preconceito generalizado dentro da escola

Os irmãos Vinícius Franco (atrás),16 anos, e 
Nicolas Franco, 20 anos. São superdotados
Estima-se que cerca de 20 milhões de brasileiros sejam superdotados. Para o governo, no entanto, eles não chegam a 14 mil pessoas. Professores, em geral, são incapazes de identificar e acolher crianças com altas habilidades, o nome técnico dado à superdotação. Por isso, os superdotados costumam ser rotulados como alunos problemáticos. Escolas sem recursos para responder às demandas desses talentos culpam as próprias crianças por desinteresse e transferem o problema para a família. Médicos e psicólogos sem traquejo para diferenciar crianças com transtornos de crianças com talentos acima da média prescrevem medicamentos e acompanhamento especializado – como se a superdotação fosse um caso de diagnóstico, e não de reconhecimento. A falta de informação generalizada alimenta preconceitos e estereótipos que estigmatizam e segregam crianças talentosas, que acabam expostas a problemas perenes de identidade, autoaceitação e autoestima.


O pedagogo e pesquisador da
Universidade de São Paulo (USP) Giovanni Eldasi



“Não é fácil ser superdotado. Eles são muito discriminados”, diz a professora aposentada Angela Dias Ferreira. Angela é mãe de Giovanni Eldasi, pedagogo e superdotado, cuja história está na reportagem de capa da edição impressa de ÉPOCA, O Brasil desperdiça seus talentos. O vídeo a seguir foi feito durante a reportagem na cidade de Campanha, em Minas Gerais. Nele, pais de superdotados falam do tratamento que suas crianças sofrem por serem muito inteligentes.







Vídeo:



Fonte: Revista Época/Globo

Campanha é destaque da revista Época com a reportagem ''O Brasil desperdiça seus talentos''

As histórias de jovens e crianças da cidade da Campanha, no interior de Minas Gerais revelam o maior desperdício de riqueza que o país comete: fechar os olhos para seus superdotados


18/02/2016 22:10
Reportagem: Flávia Yuri Oshima


Capa revista Época
Trecho da reportagem de capa desta semana:
Campanha é uma cidade de 15 mil habitantes no sul de Minas Gerais. Não tem cinema. Os dois hotéis da cidade não possuem ar-condicionado. Somente em Minas Gerais, há 175 municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto que o de Campanha. Em Educação, o IDH da cidade é ainda pior: está em 267° lugar. A principal atividade é o plantio de tangerina do tipo poncã. Quem quer comprar produtos mais sofisticados precisa ir até Varginha, a 49 quilômetros dali. Pois, em apenas dois dias nessa cidade tão pacata, a reportagem de ÉPOCA conversou com quatro crianças superdotadas e soube de outras três que vivem ali.
Chegar até os irmãos Nicolas, de 20 anos, e Vinícius, de 16, foi fácil. O pai deles, Norberto Franco, pediu ajuda a Giovanni Eldasi quando os meninos, ainda pequenos, começaram a ser discriminados por professores e colegas na escola. Os pais procuraram a direção da escola, a Secretaria de Educação da cidade e a Secretaria de Educação regional em busca de aulas e materiais extras para ajudá-los. Nunca conseguiram coisa alguma. “Está na lei que meus filhos têm o direito à educação. Ouvimos não de todos os lugares”, diz a mãe, Nilda Franco.

Os relatos sobre as dificuldades que a espoleta Donatella Arcuri, de 10 anos, enfrenta na escola são idênticos aos do senhor Norberto. A diferença fundamental é que as dificuldades de Donatella se deram numa escola particular. Quando a avaliação indicou que ela deveria ser promovida para a série seguinte, a escola se esquivou da responsabilidade. “Se recusaram até a inscrevê-la para a Olimpíada de Matemática”, diz Fernanda Arcuri, educadora, mãe de Donatella.
Pais de Donatella, Fernanda Arcuri e Rafael Arcuri Neto, falam  - Foto/reprodução: Revista Época

O primeiro susto que Paulo e Márcia Buchholz tiveram com a filha Rafaella foi quando a menina tinha apenas 2 anos. A bebê apontou para um letreiro e começou a dizer “efe-a-erre-eme-a-ce-i-a”. A partir de então, a aprendizagem de Rafaella passou a se dar em saltos. Rafaella não foi adiantada na escola, mas recebe conteúdos extras durante a aula. “Nos anos em que era a única que sabia ler, ela sofria muito com os ciúmes dos amigos. Agora melhorou”, diz Márcia Buchholz.
Será que a água de Campanha tem algum elemento que afeta o cérebro das crianças? Difícil de acreditar. É possível que o que acontece lá se reproduza, em medidas proporcionais, nos demais 5.560 municípios brasileiros. Uma evidência disso: o último dado divulgado pelo Inep, órgão que contabiliza as estatísticas oficiais de Educação, mostra que o país possui 13.308 superdotados. O dado é irrisório. A estimativa mais conservadora da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que há 10 milhões de superdotados no Brasil, ou 5% da população. Esse percentual refere-se apenas aos superdotados intelectuais, com facilidade em raciocínio matemático ou línguas. Considerando todas as dimensões nas quais um superdotado pode sobressair, o percentual por país gira em torno de 10% da população. Ou seja, provavelmente há mais de 20 milhões de brasileiros talentosos invisíveis.

Professores despreparados para atender esses jovens e crianças incentivam o preconceito generalizado dentro da escola. Professores despreparados para atender esses jovens e crianças incentivam o preconceito generalizado dentro da escola

Os irmãos Vinícius Franco (atrás),16 anos, e 
Nicolas Franco, 20 anos. São superdotados
Estima-se que cerca de 20 milhões de brasileiros sejam superdotados. Para o governo, no entanto, eles não chegam a 14 mil pessoas. Professores, em geral, são incapazes de identificar e acolher crianças com altas habilidades, o nome técnico dado à superdotação. Por isso, os superdotados costumam ser rotulados como alunos problemáticos. Escolas sem recursos para responder às demandas desses talentos culpam as próprias crianças por desinteresse e transferem o problema para a família. Médicos e psicólogos sem traquejo para diferenciar crianças com transtornos de crianças com talentos acima da média prescrevem medicamentos e acompanhamento especializado – como se a superdotação fosse um caso de diagnóstico, e não de reconhecimento. A falta de informação generalizada alimenta preconceitos e estereótipos que estigmatizam e segregam crianças talentosas, que acabam expostas a problemas perenes de identidade, autoaceitação e autoestima.


O pedagogo e pesquisador da
Universidade de São Paulo (USP) Giovanni Eldasi



“Não é fácil ser superdotado. Eles são muito discriminados”, diz a professora aposentada Angela Dias Ferreira. Angela é mãe de Giovanni Eldasi, pedagogo e superdotado, cuja história está na reportagem de capa da edição impressa de ÉPOCA, O Brasil desperdiça seus talentos. O vídeo a seguir foi feito durante a reportagem na cidade de Campanha, em Minas Gerais. Nele, pais de superdotados falam do tratamento que suas crianças sofrem por serem muito inteligentes.







Vídeo:



Fonte: Revista Época/Globo

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