O sequestro do garoto Lucas e a morte de sua mãe em 2003 em Três Corações-MG · Cap.2 - ALÔ ALÔ CIDADE

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O sequestro do garoto Lucas e a morte de sua mãe em 2003 em Três Corações-MG · Cap.2

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História verídica e a busca pela superação



O SEQUESTRO DO GAROTO LUCAS PEREIRA LOUREIRO EM 2002 E A MORTE DE SUA MÃE EM 2003 – UMA HISTÓRIA VERÍDICA E A BUSCA PELA SUPERAÇÃO

Por Sandro Mendes, jornalista e padrasto de Lucas Pereira Loureiro

O sequestro e o desaparecimento de pessoas são assuntos pouco discutidos no Brasil, porém que afetam e têm o poder de destruir a vida de milhares de famílias brasileiras. E essa tragédia não poupa ninguém, crianças, adolescentes, mulheres, idosos etc.

Priscila Vieira Belfort, irmã do lutador de MMA Vitor Belfort, é um desses casos. Ela trabalhava como funcionária pública na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, no centro do Rio de Janeiro, e simplesmente desapareceu do nada, sem deixar pistas, em 9 de janeiro de 2004, após sair do trabalho para almoçar. 

Foi a última vez que ela foi vista. Seu real paradeiro é desconhecido até hoje. Priscila trabalhava no Centro, em uma época que os sequestros estavam em alta na área. A demora em voltar para casa deixou sua família desesperada. A festa de aniversário da mãe, que estava prevista para o dia seguinte do desaparecimento, foi suspensa.

Não houve nenhum pedido de resgate. Nos meses seguintes, os parentes levantaram várias possibilidades para o sumiço, inclusive algum tipo de confusão mental. Segundo a família, ela já havia sofrido lapsos de memória no passado, mas nunca a ponto de perder o contato com os parentes.
Embora a polícia trabalhe com a hipótese de homicídio e não de sequestro, já que nunca houve um pedido de resgate, a família de Vitor acredita que Priscila esteja viva. E isso já faz 16 anos. Quanto sofrimento...
Lucas na época do sequestro quando estudava na UNINCOR -
Colégio Aplicação - Foto/Arquivo pessoal


Outro caso famoso aconteceu em 1973, também no Rio de Janeiro. Ficou conhecido como “O Caso Carlinhos” e refere-se ao sequestro do menino Carlos Ramires da Costa, o qual também permanece insolúvel até hoje.

O caso, repleto de hipóteses, suspeitos e informações controversas, gerou grande repercussão nacional. Carlinhos, uma criança de dez anos, era um dos filhos do industrial João Mello da Costa, proprietário da indústria farmacêutica Unilabor, em Duque de Caxias.

O menino foi sequestrado em sua residência, invadida por um criminoso que deixou um bilhete, no qual marcou data e local de pagamento do resgate. Com a publicação do bilhete pelo jornal O Globo e grande repercussão subsequente, os sequestradores não compareceram ao local combinado e Carlinhos jamais foi encontrado. 

Por curiosidade, segue abaixo o bilhete com vários erros de Português, que o sequestrador deixou para a família, semelhante ao que foi deixado no caso do Lucas:

“Aviso a você que a criança esta em nosso poder e só entregaremos após ser pago o resgate de cem mil cruzeiros. Esta importância deverá cer em pequeno volume e metido dentro de uma bolsa e deverá cer depositado em cima de uma caixa de cimento que fica situada na Rua Alice cruzando com a Rua Dr. Júlio Otoni, junto a duas placa no dia 4/8/1973 às 02:00 horas, digo duas horas do dia quatro, e lembre si de que qualquer reação a vítima será liquidada. OBS: Depois de ser feito este depósito deverão seguir em direção ao Rio Comprido e esta carta deverá ser devolvida no ato.”

Desde então, diversas notícias sobre o paradeiro dele surgiram, mas nenhuma obteve confirmação nos testes de DNA. E Carlinhos entrou para a triste estatística dos desaparecidos.

Felizmente o rapto do Lucas não terminou assim. E isso se deve principalmente ao trabalho perfeito realizado pelo DEOESP (Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil de Minas Gerais). Se não fosse por isso, certamente hoje ele não estaria aqui entre nós.

Seu sequestro ocorreu pouco antes das 7 horas da manhã, na porta da casa onde morávamos, nas proximidades da Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR. Lucas, na época com apenas 14 anos de idade, estudava no colégio daquela instituição e se dirigia para lá no momento em que aconteceu o sequestro. Eram os primeiros dias do mês de fevereiro de 2002.

No entanto, a princípio eu seria o verdadeiro alvo dos sequestradores. No dia anterior, um domingo, tentaram me sequestrar na saída da fazenda do então meu cunhado José Alberto Alves Pereira, localizada próxima à rodovia LMG-62, estrada esta que liga Três Corações a São Thomé das Letras. 
Eu, minha esposa Marlene, Lucas e minha filha Natália, que então tinha três anos de idade, havíamos ido à fazenda do meu cunhado passar o domingo. Foi um dia comum, regado a uma cervejinha, churrasco e um gostoso bate-papo, como sempre fazíamos naquela época.

Entretanto, à tarde, na hora de irmos embora, a camionete do meu cunhado não funcionou por algum problema mecânico. Então ele, sua então esposa Magda e sua filha Marina, vieram conosco no meu carro, uma Blazer, que mais tarde seria de grande valia em duas ocasiões durante o sequestro.

Quando chegamos a uma pequena ponte que havia na saída da fazenda, dois dos sequestradores estavam lá me esperando em uma motocicleta. A ideia deles era me sequestrar em meu próprio carro e, mais à frente, abandonar a Blazer e me colocar em outro veículo. 

O Zé Alberto achou estranho ver aqueles dois sujeitos ali, pediu que eu parasse o carro e fez vários questionamentos a eles, que mal responderam, montaram na moto e saíram rapidamente. Naquele momento não percebemos que eles estavam armados e não tínhamos a menor ideia do que se tratava.
Na verdade, só não fui sequestrado naquele momento porque os bandidos não esperavam que haveria tanta gente dentro do carro, tantas testemunhas, o que atrapalhou a operação do sequestro, que foi transferida para o dia seguinte.

Nessa época, eu fazia uma caminhada todas as manhãs. Saía às 7 e voltava por volta das 8 horas, indo até o Clube Atalaia, que pertence ao Exército Brasileiro. Por um grande acaso, nossa empregada lavou meu tênis de caminhada no sábado e não conseguiu colocar os cadarços, porque eles já estavam com as pontas muito mascadas.

Então, me atrasei arrumando o tênis e o Lucas passou por mim já se dirigindo à escola. Enquanto isso lá na rua, os sequestradores, vestidos de branco, como se fossem estudantes de odontologia da Universidade Vale do Rio Verde, já estavam ansiosos, porque eu não saía no momento costumeiro. Porém, assim que viram o Lucas, resolveram levá-lo no meu lugar.

Nenhum vizinho percebeu nada. Arrumei o tênis, fiz minha caminhada, voltei para casa, tomei um banho e de repente o telefone fixo da minha casa tocou. De cara percebi que o sotaque era de alguém de São Paulo. A voz disse o seguinte: 

- Ô malandro, nós sequestramos o seu enteado. Sabemos que ele não é seu filho, mas você vai pagar o resgate porque você gosta muito dele. Aguarde as instruções. Se você não estiver acreditando, vai lá na escola dele e pergunte se ele foi  à aula hoje.

E então o sujeito bateu o telefone. A princípio pensei que era trote. Só podia ser. Fiquei alguns minutos pensando naquilo e, por via das dúvidas, fui até a escola e descobri que o Lucas realmente não se encontrava lá. Foi um imenso choque: o sequestro era de fato verdadeiro.

Milhões de coisas se passaram na minha cabeça ao mesmo tempo, principalmente como dizer para a minha mulher que o filho dela havia sido raptado. Ela não estava em casa naquele momento. 

Então liguei para o Gilson, irmão dela, e pedi que a avisasse e viesse se encontrar comigo juntamente com ela em nossa casa. Eu me lembro de vê-la chegar em casa em enorme desespero, aos prantos. No mesmo instante liguei para um delegado local da Polícia Civil, meu amigo de infância, que me disse:
- Olha, Sandro. Sequestro é um crime muito difícil de resolver. Nós aqui em Três Corações não temos recursos para algo assim. Estou indo para a sua casa agora para conversarmos.  

Eu disse ok e logo ele chegou à minha casa. Recentemente, ao saber do livro, ele me enviou por whatsapp.com a seguinte mensagem:

“Nunca esqueci daquela reunião que fizemos numa mesa de vidro, na sua casa. Os sequestradores não queriam polícia no caso. Te informei dos riscos e que tínhamos a melhor Policia Civil do Brasil na solução de sequestros. Te disse que  a Polícia deveria investigar sim mas  achava, pelos enormes riscos envolvidos na operação,  que a decisão deveria ser dividida com você e família. Você pensou uns dez minutos e me disse emocionado: faça o melhor possível pra trazer nosso Lucas...”

Então esse delegado amigo meu ligou de imediato para o Secretário de Segurança, que falou o seguinte:
- Temos excelentes profissionais para isso, policiais especializados em sequestro, mas o Estado não tem dinheiro para enviá-los. O Estado está quebrado literalmente. Se a família pagar toda a logística dos policiais, alimentação, combustível, aluguel de carros, ainda hoje envio dezenas de homens para Três Corações.

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