Preço mínimo de R$ 307 para o café desagrada setor - ALÔ ALÔ CIDADE

Publicidade

Expectativa é de que a ministra Kátia Abreu modifique a metodologia de cálculo do custo da saca de 60 kg

09/05/2015 22:52
Cafeicultor esperava que preço mínimo da saca fosse reajustado,
o que não ocorreu/Eric Gonçalves
A manutenção do preço mínimo do café em R$ 307 por saca de 60 quilos, para vigência no período entre abril deste ano e março de 2016, anunciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), não agradou o setor, que esperava reajuste significativo nos preços, uma vez que os custos de produção estão elevados e muito acima do valor mínimo praticado hoje. Porém, a expectativa é que a ministra Kátia Abreu mude a metodologia de cálculo do preço mínimo para que o valor fique bem próximo ao real custo de produção.

De acordo com o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das comissões de Cafeicultura da entidade e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, a ideia da ministra Kátia Abreu é realizar estudo com base em dados científicos elaborados por instituições conceituadas para a definição do valor.

"Esperávamos que o preço mínimo do café fosse reajustado, o que não aconteceu. Mas, no início do ano, tivemos reunião com a ministra e um dos pontos discutidos foi o preço mínimo. O objetivo é discutir e modificar a metodologia para o cálculo do preço, que será baseado em estudo de entidades conceituadas no setor para que o valor mínimo fique bem próximo aos custos. Como a reunião foi há apenas alguns meses, acredito que não teve tempo hábil para fazer o levantamento", avalia.

Ainda segundo Mesquita, para a elaboração da nova metodologia, a ministra pretende discutir o assunto junto à CNA, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade de São Paulo (USP/Esalq), Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Universidade Federal de Lavras (Ufla), entre outras entidades que acompanham de perto o setor cafeeiro.

Colheita - "Normalmente o preço mínimo do café é divulgado antes do início da colheita da safra, mas nada impede que ele seja reajustado fora desse período, depende apenas da ministra. Não sabemos com está o andamento desse estudo. O estabelecimento de uma metodologia que gere um preço mínimo próximo ao custo de produção é fundamental para que as políticas públicas voltadas para o setor venham realmente atender os produtores", ressalta Mesquita.

Segundo o Boletim Ativos do Café, elaborado pela superintendência técnica da CNA e pelo Centro de Inteligência em Mercados (CIM) da Ufla, o Custo Operacional Total (COT) médio da produção com manejo considerado manual em março de 2015 foi de R$ 472,01 por saca, enquanto no mecanizado o custo total foi de R$ 353,54.

No manejo semimecanizado, o COT foi de R$ 466,53 por saca, todos os valores estão acima do preço mínimo estabelecido pelo Mapa, R$ 307. De acordo com Mesquita, o ideal seria a criação de valores diferenciados conforme o sistema produtivo.

"O estabelecimento de um preço mínimo para todo o País gera distorções, já que exitem vários sistemas de produção com custos diferenciados. O ideal é fixar valores mínimos conforme o tipo de produção, porém, isso ainda não foi discutido. Nesse primeiro momento, se conseguirmos mudar metodologia para que o preço mínimo fique próximo ao custo, poderemos formular políticas públicas e fazer um planejamento futuro de forma a atender plenamente o setor", explica.


Safra - De acordo com Mesquita, a colheita da safra 2015 já foi iniciada e deve ganhar ritmo ao longo das próximas semanas. Assim como nos anos anteriores, os recursos financeiros do plano safra ainda não foram anunciados, o que poderá prejudicar ainda mais a atividade, que já vem enfrentando problemas com os cafezais em decorrência da seca.

"Nossa preocupação com a safra 2015 é em relação aos financiamentos. Já iniciamos a colheita e o plano safra ainda não foi lançado. O cafeicultor precisa ter acesso ao crédito agora, para que ele possa planejar e se organizar financeiramente, o que permite a escolha do melhor momento para vender o café", observa.

Leia mais no Diário do Comércio

Preço mínimo de R$ 307 para o café desagrada setor

Expectativa é de que a ministra Kátia Abreu modifique a metodologia de cálculo do custo da saca de 60 kg

09/05/2015 22:52
Cafeicultor esperava que preço mínimo da saca fosse reajustado,
o que não ocorreu/Eric Gonçalves
A manutenção do preço mínimo do café em R$ 307 por saca de 60 quilos, para vigência no período entre abril deste ano e março de 2016, anunciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), não agradou o setor, que esperava reajuste significativo nos preços, uma vez que os custos de produção estão elevados e muito acima do valor mínimo praticado hoje. Porém, a expectativa é que a ministra Kátia Abreu mude a metodologia de cálculo do preço mínimo para que o valor fique bem próximo ao real custo de produção.

De acordo com o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das comissões de Cafeicultura da entidade e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, a ideia da ministra Kátia Abreu é realizar estudo com base em dados científicos elaborados por instituições conceituadas para a definição do valor.

"Esperávamos que o preço mínimo do café fosse reajustado, o que não aconteceu. Mas, no início do ano, tivemos reunião com a ministra e um dos pontos discutidos foi o preço mínimo. O objetivo é discutir e modificar a metodologia para o cálculo do preço, que será baseado em estudo de entidades conceituadas no setor para que o valor mínimo fique bem próximo aos custos. Como a reunião foi há apenas alguns meses, acredito que não teve tempo hábil para fazer o levantamento", avalia.

Ainda segundo Mesquita, para a elaboração da nova metodologia, a ministra pretende discutir o assunto junto à CNA, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade de São Paulo (USP/Esalq), Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Universidade Federal de Lavras (Ufla), entre outras entidades que acompanham de perto o setor cafeeiro.

Colheita - "Normalmente o preço mínimo do café é divulgado antes do início da colheita da safra, mas nada impede que ele seja reajustado fora desse período, depende apenas da ministra. Não sabemos com está o andamento desse estudo. O estabelecimento de uma metodologia que gere um preço mínimo próximo ao custo de produção é fundamental para que as políticas públicas voltadas para o setor venham realmente atender os produtores", ressalta Mesquita.

Segundo o Boletim Ativos do Café, elaborado pela superintendência técnica da CNA e pelo Centro de Inteligência em Mercados (CIM) da Ufla, o Custo Operacional Total (COT) médio da produção com manejo considerado manual em março de 2015 foi de R$ 472,01 por saca, enquanto no mecanizado o custo total foi de R$ 353,54.

No manejo semimecanizado, o COT foi de R$ 466,53 por saca, todos os valores estão acima do preço mínimo estabelecido pelo Mapa, R$ 307. De acordo com Mesquita, o ideal seria a criação de valores diferenciados conforme o sistema produtivo.

"O estabelecimento de um preço mínimo para todo o País gera distorções, já que exitem vários sistemas de produção com custos diferenciados. O ideal é fixar valores mínimos conforme o tipo de produção, porém, isso ainda não foi discutido. Nesse primeiro momento, se conseguirmos mudar metodologia para que o preço mínimo fique próximo ao custo, poderemos formular políticas públicas e fazer um planejamento futuro de forma a atender plenamente o setor", explica.


Safra - De acordo com Mesquita, a colheita da safra 2015 já foi iniciada e deve ganhar ritmo ao longo das próximas semanas. Assim como nos anos anteriores, os recursos financeiros do plano safra ainda não foram anunciados, o que poderá prejudicar ainda mais a atividade, que já vem enfrentando problemas com os cafezais em decorrência da seca.

"Nossa preocupação com a safra 2015 é em relação aos financiamentos. Já iniciamos a colheita e o plano safra ainda não foi lançado. O cafeicultor precisa ter acesso ao crédito agora, para que ele possa planejar e se organizar financeiramente, o que permite a escolha do melhor momento para vender o café", observa.

Leia mais no Diário do Comércio

Nenhum comentário:

Postar um comentário