O sequestro do garoto Lucas e a morte de sua mãe em 2003 em Três Corações-MG · Cap.1 - ALÔ ALÔ CIDADE

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O sequestro do garoto Lucas e a morte de sua mãe em 2003 em Três Corações-MG · Cap.1

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História verídica e a busca pela superação



Por Sandro Mendes, Jornalista e Padrasto de Lucas Pereira Loureiro.

Dedico este livro à minha querida esposa Poliana, aos meus amados pais Marcílio e Bida, minha irmã Flaviana e aos meus filhos Natália, Ricardo, Eduardo e ao meu enteado/filho Lucas que, com o amor que sempre dedicaram a mim, acabaram por evitar que eu desistisse da vida. E também à memória da Marlene.

Há alguns dias, o Sandro Mendes me pediu para escrever uma espécie de prefácio para seu livro que, nas suas próprias palavras, seria “a verdade sobre dois fatos”, que aconteceram na sua vida e que mexeram com ele e metade deste país: o sequestro de seu enteado Lucas Loureiro e o falecimento de sua primeira esposa.

Quando Sandro me disse sobre o livro que lançaria, desejando afastar e exorcizar os fantasmas que o atingem até hoje, considerei a ideia excelente. Muitos usam a escrita para derrotar os acontecimentos que maltrataram suas vidas ou entes queridos.

Num instante meus pensamentos voltaram para uma época em que um jovenzinho de apenas 17 anos adentrou a redação do Jornal Três, recomendado pelo Egas Batista, da Gráfica Véritas.
- Vim aqui porque gosto de escrever e quero fazer o curso de jornalista!

A primeira impressão que tive era que aquele menino, de tradicional família, iria longe! Ficou aqui na redação durante uns dois anos, realizou trabalhos, escreveu textos com uma visão mais apurada, bem pesquisados, prova de sua competência já sendo demonstrada!



O tempo passou, o menino se tornou jornalista, formando-se em Belo Horizonte. Trabalhou com os deputados Jorge Gibram e Ailton Vilela; foi eleito vereador nesta cidade...

Casou-se, foi pai de uma menina, teve sucesso na vida; casou-se pela segunda vez e tem mais dois filhos e, mesmo fora do jornalismo, nunca abandonou a paixão pela escrita. Nunca deixou de enviar textos para este e outros jornais da cidade e região.

Agora vai partir para outros voos! E este Jornal terá a exclusividade de publicar em capítulos este seu primeiro livro, que em seguida será publicado nas redes sociais.

Como palavras finais e emocionado pelo privilégio de prefaciar seu primeiro livro, recordo-me do que lhe disse uma vez e nunca mais repeti para nenhum dos que trabalharam comigo:

- Se um dia eu tiver que parar, se alguma coisa me impedir de fazer o Jornal, você é o único que eu gostaria que continuasse o meu trabalho. Você é competente e sabe escrever bem, o que é essencial para um bom jornalista!

Saúde e vamos em frente, grande Sandro Mendes!
Luiz Antonio Maia
Diretor do Jornal Três

Messias Ferreira Mendes
Parte desse livro é sobre a superação. Todos nós temos nossas superações. Sinto-me honrado em ser convidado pelo meu sobrinho Sandro para expor as minhas nesse livro que ele escreveu. Ele também passou por momentos difíceis e os superou com grande dignidade. 

Ele me convidou a fazer essa introdução porque conhece de perto a minha história. Como muitos garotos de minha época, não tive uma infância fácil. Nasci em Elói Mendes, fiquei órfão de pai aos 14 anos e tive que começar a trabalhar. 

Trabalhei na Empresa Carneiro Machado durante cinco anos, período em que consegui fazer o ginásio, compartilhando com o trabalho. 

Meu objetivo, apesar das dificuldades, era estudar. Tentei trabalhar e estudar em Belo Hotizonte, no ano de 1954, e não consegui. No ano seguinte fui chamado para o Exército. 

Nessa grande instituição, encontrei o que procurava. Passei a fazer todos os cursos que apareciam, terminando por fazer um curso de aperfeiçoamento na região Militar de Juiz de Fora. 

Retornando a Três Corações, matriculei-me no curso científico do Colégio Estadual, que concluí em 1960, quando consegui transferência para o Estado Maior do Exército no Rio de Janeiro. 

Em 1962 fui aprovado em vestibular na Universidade Federal do Rio de Janeiro, para o curso de Veterinária. Na época, já era casado com Berenice Avellar Penha Ferreira. 

Terminei a Faculdade em 1965 e fiz concurso para a Escola de Veterinária do Exército, curso que terminei no ano seguinte, sendo incluído no quadro de veterinários do Exército, como primeiro tenente e transferido para São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, onde nasceu minha filha gaúcha. 

Já tínhamos nosso filho Fluminense. Segui minha carreira com várias transferências pelo Brasil, vindo para a reserva no posto de Coronel. 

Foi um duro período de superação que enfrentei, tendo como grande companheira de vida minha esposa Berenice. Hoje residimos em Três Corações, distante dos filhos. O fluminense reside em São Paulo e a gaúcha em Brasília. 

Meu estimado sobrinho, Sandro Mendes, também enfrentou vários problemas, diferentes dos meus, mais de difícil superação, precisando sempre de muita garra e determinação. Foi muita luta, a qual acompanhei de perto. E este livro conta toda a história...

Nota do autor: abaixo, meus queridos tios Messias e Berenice, abraçados com meus filhos Eduardo, o mais baixo, e com o Ricardo, o mais velho.
 

CAPÍTULO 1 - O SEQUESTRO
 
Este livro é uma narrativa em primeira pessoa e conta com trechos de crônicas que escrevi nos últimos anos e foram publicadas no Jornal Três e em outros jornais e sites por esse Brasil afora.

Acima de tudo, este livro é uma forma que encontrei de tentar exorcizar todos os meus fantasmas e traumas, depois de duas tragédias ocorridas em sequência e que me afetaram profundamente: o sequestro do meu enteado e a morte da mãe dele, no ano seguinte, quando fui chamado à Delegacia da Polícia Civil de Varginha sob suspeita de tê-la assassinado.

O objetivo deste livro não é denegrir ninguém. Quero apenas contar o que aconteceu sob o meu ponto de vista, sem comprometer ninguém, até porque, queira ou não, isso faz parte da história de Três Corações, saiu no Jornal Nacional, no Fantástico, no jornal Estado de São Paulo, entre outros.
O livro terá o formato de uma novela. Ou seja, vou liberando partes dele para a mídia e redes sociais que irão contando a história parte a parte. Se for o caso, lá na frente, depois da história ser toda contada, pode ser que eu faça um livro no papel, mas não sei se será o caso.
Sou por natureza um escritor e vejo que esse episódio terrível precisa ser registrado. E, para mim, escrevê-lo funcionou com uma terapia, pois me fez muito bem psicologicamente colocar tudo isso para fora. Vamos aos fatos:

Ao contrário do que se possa pensar, o sequestro e o desaparecimento de pessoas é algo muito comum no mundo todo. Só no Brasil, em média, desaparecem 226 pessoas por dia. Todo ano, por mais incrível que pareça, na média 70 mil pessoas simplesmente desaparecem no Brasil. Corresponde a uma cidade um pouco menor que Três Corações. É um número assustador. Para onde foram essas pessoas? O que ocorreu com elas? 

Exploração sexual, trabalho escravo, remoção de órgãos, adoção ilegal, assassinato com ocultação do cadáver, abandono do lar por causa de conflitos familiares e ou mentais, além do tráfico de pessoas estão entre os principais motivos dos desaparecimentos. 
Mesmo assim, os números são assustadores. E o curioso é que isso é algo que ocorre no mundo todo. É um fenômeno apavorante. Abaixo, alguns desaparecimentos misteriosos que marcaram a história:
Em 4 de dezembro de 1872, o navio Mary Celeste foi encontrado à deriva no Oceano Atlântico, perto de Portugal. Seus dez tripulantes nunca foram encontrados.

Lucas Pereira Loureiro, de 14 anos, época do sequestro ao lado de Rubens Barrichello - Foto: Arquivo pessoal


Em 5 de dezembro de 1900, na pequena ilha escocesa de Eilean Mor, os guardas que cuidavam do farol local, Thomas Marshall, James Ducat e Donald McArthur desapareceram para sempre, sem deixar rastros.

Em Springfield, EUA, em 7 de junho de 1992, duas amigas de 19 anos, Stacy McCall  e Suzanne, bem como sua mãe Sherrill, simplesmente sumiram de casa. Nunca mais foram vistas. 
Na véspera do Natal de 1945, na Virgínia, cinco crianças desapareceram do próprio quarto e jamais foram achadas.

No distrito de Bennington, no estado americano de Vermont, cinco pessoas sumiram em datas diferentes. O primeiro desaparecimento ocorreu em 1945. Foi o guarda-florestal Middie Rivers. Um ano depois, Paula Welden, uma universitária de 18 anos, também desapareceu. Três anos depois, James Tedford desapareceu misteriosamente de dentro de um ônibus.  Até hoje, não se sabe o que aconteceu com ele e como isso foi possível.

Um ano depois, Paul Jephson, de 8 anos, também sumiu na região. Ele estava viajando num caminhão com sua mãe. Em algum momento, a mulher parou o veículo e ficou distraída por alguns segundos. Foi o suficiente para a criança praticamente se evaporar do nada.  

Dezesseis dias depois, Frieda Langer, de 53 anos, também desapareceu no distrito de Bennington.  
Os desaparecimentos são classificados de três formas: voluntário (fuga do lar devido a desentendimentos familiares, violência doméstica ou outras formas de abuso dentro de casa), involuntário (afastamento do cotidiano por um evento sobre o qual não se possui controle, como acidentes ou desastres naturais) e forçado (sequestros realizados por civis ou agentes de Estados autoritários).

Obs: Continua na próxima publicação. Jornal Alô Alô Cidade; Jornal Três Marco; Vivas (Tecnologia da Informação); Rádio Pop; Programa Terra Sertaneja (Radialista Kuyd); você pode seguir este livro também no Instagram @pereirasandro_

Se quiser saber mais sobre reportagens na integra sobre o caso do sequestro veiculado na mídia segue alguns links: 



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