Com 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas, estado lidera setor que fornece energia para laticínios, granjas e frigoríficos; biomassa substitui combustíveis fósseis e reduz emissões
A imagem tradicional da silvicultura ligada apenas
à produção de papel e celulose está sendo ressignificada em Minas Gerais. O
estado, que detém 22% da área de florestas plantadas do Brasil, transformou o
setor em um aliado estratégico da segurança alimentar. Atualmente, 811 dos 853
municípios mineiros desenvolvem a atividade, que garante energia e insumos para
que o alimento chegue com qualidade à mesa do consumidor.
Através da Secretaria de Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Seapa), o Governo de Minas tem fomentado as chamadas
"florestas pensadas". O foco é a ampliação de florestas produtivas em
áreas de pastagens degradadas, auxiliando na recuperação ambiental enquanto
supre a crescente demanda da agroindústria.
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| Silvicultura se consolida como motor da agroindústria e da segurança alimentar em Minas - Foto: Alexandre Amaral / Emater-MG |
Energia para a mesa dos mineiros
A madeira de reflorestamento, especialmente o
eucalipto, é a principal fonte de biomassa para a geração de energia térmica em
setores vitais. Segundo a superintendente de Fomento Florestal da Seapa, Taiana
Arriel, essa energia é utilizada em:
- Laticínios e Frigoríficos: Para a pasteurização do leite,
aquecimento de caldeiras e esterilização de equipamentos.
- Granjas e Aviários: Essencial na climatização de galpões e no conforto térmico para a produtividade de aves e bovinos.
- Fábricas de Ração e Usinas: Utilizada na secagem de grãos e
em diversos processos industriais.
Na região Centro-Oeste de Minas, referência na
avicultura, o uso de lenha de reflorestamento é considerado imprescindível. Empresas
como a JMC Agroindustrial utilizam a biomassa para aquecer galpões nas
primeiras semanas de vida das aves, garantindo o ambiente adequado para o
desenvolvimento animal.
Sustentabilidade e Meio Ambiente
Além da função energética, o setor florestal
mineiro desempenha um papel ecológico robusto. A agroindústria florestal do
estado protege uma área de vegetação nativa equivalente a 40 vezes o tamanho de
Belo Horizonte. No campo, o uso do cavaco de madeira auxilia no controle de
erosão e na manutenção da umidade do solo, beneficiando diretamente a
agricultura e a pecuária.
Para produtores como Paulo Moraes, fundador da
Madeiras Mata Verde em Itapecerica, o mercado de alimentos já representa uma
fatia expressiva do negócio: cerca de 40% da produção de lenha da empresa é
destinada a granjas e abatedouros da região. "Este resultado evidencia o
papel estratégico do setor e reforça a necessidade de políticas públicas que
fortaleçam esta cadeia", destaca Taiana Arriel.

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